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quarta-feira, 22 de abril de 2009

"Flashmob" de coisa séria

Imagine uma sirene ecoando por todos os cantos da cidade durante dois minutos. Quando ela começa, os ônibus, motos e carros param e as pessoas descem. Motoristas ou pedestres, todos param na posição que estirevem e assim permanecem, até o som desaparecer por completo. Então, prosseguem suas vidas normalmente.

Daria uma excelente idéia para um flashmob, não é? Mas aqui o assunto é sério. Trata-se de Yom Hashoa, o dia de lembrar do Holocausto, comemorado uma vez por ano em Israel. Em respeito aos milhões de judeus assassinados na 2ª guerra, todos prestam essa homenagem.




Um outro mais curtinho, mas que dá pra ver melhor as pessoas:


Uma das demonstrações de respeito mais bonitas que eu já vi em toda minha vida. Só me deixa triste saber que mesmo se houvesse um motivo válido, algo do tipo nunca daria certo no Brasil.

segunda-feira, 23 de março de 2009

רגשות

Eu procrastinei (como sempre) pra escrever sobre o carnaval, até que eu tomasse algumas decisões e entendesse o andar da carruagem. Mas eu esperei tanto que chegou num ponto que tudo virou meu demais pra poder contar pra alguém.

A verdade é que, num certo dia de 2007, depois de uma briga feia com o Daniel, eu decidi que se eu quisesse realmente ir pra Israel, ele não poderia ser meu único conhecido por lá. Por isso saí à procura de alguém conversável no myspace. Depois de horas e horas fuçando em perfis borings, eu achei um cara muito bonito que me fez ter vontade de continuar vasculhando. E pra minha surpresa, ele não só era bonito, como também tirava fotos como ninguém. E gostava de Opeth. Pronto, tava ali o meu mais novo candidato a israeli chaver. Mandei um email pra ele sem esperanças, e dois dias depois tive resposta.

Desse dia em diante, foram quase dois anos de emails todo dia, de dar nós no fuso horário pra conseguir conversar 5 minutos que fosse, e de construir uma confiança que eu não pude com muita gente daqui. Até que um dia eu recebi uma mensagem "Tou indo pra America do Sul, quero passar em Bh e te ver". E ao contrário do que muita gente imaginava, veio mesmo. Com um sorriso lindo no rosto, muitos presentinhos e um abraço daqueles que a gente não quer desgrudar.

Então num dia do nosso carnaval, enquanto rolava um banho de cerveja, eu enfrentei uma chuva descomunal que mudaria muita coisa. E aí no meio de uma quase hipotermia, de muito abraço apertado pra não congelar, muito ivrit, pulgas italianas, viagens longas, lugares altos, mar bravo, sofá gelado, colo quentinho e outros milhões de coisas que só eu entenderia, foi que eu percebi que eu tava do lado de uma das pessoas mais fodas que já foram inventadas. E dei valor a cada minutinho que nos foi dado.

Mas considerando que Murphy é meu vizinho de porta, e que minha vida não é um filme de romance, é claro que ele tinha que morar em uns 18 continentes de distância. E é claro que eu tinha que ser de um signo de terra, pra não conseguir levar nada sério adiante nas circunstâncias que nos foram oferecidas.

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Aí uma vez alguém muito inteligente me ensinou uma coisa:

É assim que funciona

Você procura dentro de você.
Você pega as coisas de que gosta, e tenta amar as coisas que pegou.
E então você pega todo esse amor que você fez e crava no coração de outro alguém, bombeando o sangue de outro alguém.

E andando de braços dados, você espera não se machucar.
Mas mesmo se isso acontecer, você simplesmente vai fazer tudo novamente.

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Alô 2010, quanto tempo falta pra você chegar mesmo?